ST 22 - Golpes de Estado no Brasil República: rupturas e continuidades

Autores

Vivian Montezano Cruz

Mestra em História

Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"

vivianmontezanocruz@hotmail.com

Fabricio Trevisan

Doutorando em História - Mestre em História

Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"

fabriciotrvsn@gmail.com

Felipe de Faria Quadrado

Mestre em História

Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"

ffquadrado@gmail.com

Ementa

O período republicano do Brasil, inaugurado em 1889, modificou a perspectiva de que o poder político deveria manter-se nas mãos de uma determinada família, perpassando de geração em geração de forma autoritária, e passou a estabelecer a administração do Estado como coisa pública, que, como tal, caberia à população - ou parte dela - gerenciar. Entretanto, embora tenha rompido com o regime imperial, o período republicano não pode ser associado automaticamente à democracia ou a uma “forma democrática” de governo, pois a tradição brasileira, nesses 127 anos de República, está repleta de arbitrariedades e autoritarismos.
Pode-se identificar, inclusive, o próprio início da República no Brasil como resultado de um golpe de Estado encabeçado pelo Exército - com apoio heterogêneo e expressivo de setores civis - sobre o Império do Brasil. Como exemplo, temos em Getúlio Vargas uma figura central em três golpes de Estado em um período de somente 15 anos. No movimento de 1930, Getúlio estava no front contra a “ditadura paulista” no comando do país há décadas; em 1937, Vargas consolidou sua hegemonia ao selar com o Estado Novo e em 1945, agora do outro lado, o político gaúcho foi derrubado por grupos que contribuíram para os golpes de 1930 e especialmente o de 1937. É importante assinalar a consolidação do protagonismo político do Exército nas decisões fulcrais do Brasil. Protagonismo político este que assumirá seu ápice em 1964.
Ao longo deste período político, golpes de Estado e regimes autoritários disputaram espaço com a democracia, deixando a res publica à mercê das ações políticas, ideias e interesses que favoreciam um determinado grupo ou setor social; que colocavam no comando político uma seleta esfera da população brasileira. Neste ínterim, pode-se citar, a influência de culturas políticas autoritárias, que repercutiam nas tomadas de decisões políticas.
Os golpes de Estado e suas distensões tornaram-se marcas da história recente brasileira, tanto que as divisões estabelecidas pela história política tradicional ao período republicano estão vinculadas justamente a tais práticas políticas. Portanto, este simpósio temático objetiva debater as motivações que levaram diferentes grupos a utilizarem-se de golpes de Estado e regimes autoritários e dominar o poder político-estatal ao longo do período republicano; busca-se ainda compreender as consequências desses governos na posteridade, bem como seus projetos políticos, disputas internas e relações com a sociedade.


Programação das mesas

Mesa 1 - Sala 2082 8 de Maio de 2017 as 14:00 até 16:00
Autores Titulo
Bernardo Rocha Carvalho
A "mineiridade" como regionalismo político: uma leitura à luz da interpretação da "modernização conservadora" do Brasil
Roberto Camargos Malcher Kanitz
FUTEBOL OPERÁRIO E ESTADO NOVO: UMA HISTÓRIA A RESPEITO DOS CLUBES OPERÁRIOS DE MINAS GERAIS (1937 a 1945)
Cochise Cesar de Monte Carmo
Débora Conrado Reis
O papel do Conselho Consultivo de Divinópolis - MG na intervenção de Pedro X. Gontijo (1930-1936)
Luiz Antonio Belletti Rodrigues
Perseguições a estrangeiros durante a II Guerra Mundial: O assalto ao Banco Hypotecário de Juiz de Fora, MG
Mesa 2 - Sala 2082 8 de Maio de 2017 as 16:00 até 18:00
Autores Titulo
Silas Lauriano Neto
O golpe de Estado no Brasil contemporâneo: uma análise crítica da atualidade
Daniel Ximenes Lopes
O papel do Poder Judiciário nos regimes autoritários brasileiros
Rodrigo Badaró de Carvalho
Dinâmica da Esfera Pública e Democracia no Brasil
Cochise César de Monte Carmo
Instabilidade de governos pogressistas como resultado de seu apoio pelo poder local conservador na república brasileira
Mesa 3 - Sala 2082 9 de Maio de 2017 as 13:00 até 15:00
Autores Titulo
Fabricio Trevisan
“Militar” ou “Civil-militar”?: as discussões historiográficas acerca do golpe de Estado de 1964
Hebert Santos Oliveira
O Golpe de 1964 e os IPM's: o caso de Jacobina-Bahia
Ramonn Rodrigues Magri
Conspiradores surpreendidos: os udenistas e o “contragolpe preventivo” de Lott (1955)
Mesa 4 - Sala 2082 9 de Maio de 2017 as 15:00 até 17:30
Autores Titulo
FLÁVIO HENRIQUE DE SOUZA NASCIMENTO
Abordagem policial e entulho autoritário: o Estado de exceção na rotina da Polícia Militar do Estado de São Paulo
Pedro Fernandes Russo
Os esquecidos da resistência (trabalhadores rurais e indígenas)
Leonardo Stockler de Medeiros Monney
O Relatório Figueiredo: A evolução da questão indígena num contexto de ruptura política e institucional
Rochelle Gutierrez Bazaga
As diretas e a democracia: entre conflitos e disputas

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