MC 14 - Cidade e fotografia: O uso da fotografia na construção do imaginário de cidade e como problematizadora das transformações urbanas.

Autores

Elena Lucía Rivero

Graduada em História. Mestre em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável pela UFMG (2015)

UFMG

elenaluciarivero@gmail.com

João Marcos Veiga de Oliveira

Mestre em História Social da Cultura pela UFMG (2015)

UFMG

joaomarcosveiga@gmail.com

Ementa

Desde a invenção da fotografia, a cidade vem sendo um dos objetos preferidos dos fotógrafos. Por ser considerada capaz de registrar a realidade, à fotografia foi dada a tarefa de documentar as transformações urbanas ocorridas ao longo do tempo. Mais do que espelho da realidade, as imagens urbanas se constituíram em veículos propagadores de um imaginário de modernidade. Não por acaso, à medida que sua iconografia ia se alastrando, as cidades, lócus por excelência do exercício e das práticas civilizadoras, iam construindo suas versões higienizadas, oficiais e modernas do espaço público. Propagandas oficiais, cartões postais e coletâneas podem ser vistos como articuladores de uma visualidade particular para a cidade, veiculadores de um imaginário específico, mediadores entre a cidade e seus leitores visuais. Para além de seus usos, consideramos a fotografia, uma representação a partir do real, marcada pela subjetividade do olhar. Ainda assim, em função da materialidade do registro, nós a tomamos, também, como um documento do real, uma fonte histórica. É nesse sentido que tal minicurso propõe atividades que reflitam sobre o uso da fotografia na construção de um imaginário da cidade, seja pelo poder público ou meios privados, enaltecendo olhares urbanos de determinada época, justificando intervenções no espaço. Tal perspectiva se alinha a um entendimento das noções e gestão do patrimônio, que num primeiro momento se propõe como caminho único e natural para a preservação da histórica edificada, mas que invariavelmente também leva à alusão de singularidades históricas específicas a serem retomadas, a despeito de outras de menor interesse, à valorização de uma arquitetura nobre e à delimitação de centralidades alinhadas a certo viés de passado e de coesão social, muitas vezes em sintonia com o meio imobiliário. Tem a fotografia, nesse sentido, papel essencial para problematizar o entendimento do que vem ser a cidade. Assim como a análise histórica, o minicurso igualmente se propõe ao estímulo à prática fotográfica na cidade de Belo Horizonte, com os participantes assumindo a subjetividade da construção do registro, mas igualmente tecendo a partir desse suporte reflexões que evidenciem contradições, potencialidades, junções improváveis, sobreposições da ação no tempo e diferentes sujeitos em face da arquitetura - ou seja, irrupções do real sobre o espaço urbano para além da coesão estabelecida pela fotografia oficial, turística e patrimonial.


Cronograma das atividades:

8 horas/aula

1º Encontro:
- Especificidades da fotografia em relação à “comunidade de imagens”. A condição ambígua da fotografia enquanto documento e representação. O status de credibilidade da fotografia, seu caráter ideológico, suas diferentes funções e usos. Produção e recepção de imagens. A fonte fotográfica enquanto objeto de estudo multidisciplinar.
- A relação da fotografia com a cidade, seus usos na construção do imaginário da cidade e como problematizadora das transformações urbanas.
- Belo Horizonte: o papel da fotografia na construção do imaginário de modernismo e progresso do final do século 19 à década de 1950.

2º Encontro:
- Possibilidades de uso da fotografia para desenvolver/subsidiar pesquisas em torno de questões urbanas.
- Análise de fotografias relevantes à pesquisa ou tema de interesse dos participantes do minicurso realizada a partir de categorias selecionadas com base nos autores propostos pela bibliografia.

Bibliografia

BARTHES, Roland. A câmara clara: notas sobre fotografia. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
BORGES, Maria Eliza Linhares. Historia & Fotografía. Belo Horizonte: Autêntica, 2008
GARCIA, L. H. A.; RODRIGUES, R. L.; VEIGA, J. M.; RIVERO, E. L. Equadramentos da apropiação do espaço urbano: fotografía como ferramenta de documentação e pesquisa das temporalidades históricas do patrimônio e do urbanismo In: 4º Seminário Ibero-americano de Arquitetura e Documentação, 2015, Belo Horizonte.
KOSSOY, Boris. Realidades e Ficções na trama fotográfica. São Paulo: Ateliê Editorial, 1999
LEITE, Rogério Proença. Contra-usos da cidade. Campinas, São Paulo: UNICAMP, 2007.
MAUAD, Ana Maria. Através da imagem: Fotografia e História Interfaces. Tempo, Rio de Janeiro, vol. 1, n °. 2, 1996, p. 73-98.
MAUAD, Ana Maria. Fotografía pública y la cultura visual en perspectiva histórica. Disponível em:
http://www.unicentro.br/rbhm/ed04/dossie/01.pdf. Acesso em: 30 nov 2016.
MAUAD, Ana Maria. Na mira do olhar: um exercício de análise da fotografia nas revistas ilustradas cariocas, na primeira metade do século XX. In: An. mus. paul. vol.13 n.1 São Paulo Jan./June 2005
MOTTA, Lia. A apropriação do patrimônio urbano: do estético estilístico nacional ao consumo visual global. In: ARANTES, Antônio Augusto (org.). O espaço da diferença. Campinas: Papirus, 2000, p. 258.
POSSAMAI, Zita Rosane. Fotografía e cidade. ArtCultura. Revista do Instituto de História da Universidade Federal de Uberlândia. v. 10, n. 16, 2008.
SILVA, R. H. A. . Cartografias Urbanas: construindo uma metodologia de apreensão dos usos e apropriações dos espaços da cidade. Cadernos PPG-AU/FAUFBA, v. nº esp, p. 83-100, 2009.
SONTAG, Susan. Sobre Fotografía. São Paulo:Companhia das Letras, 2004.

  • Locais e datas

    • 8 de Maio de 2017
      08:00 - 12:00

      Sala 3018

    • 9 de Maio de 2017
      08:00 - 12:00

      Sala 3032

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