MC 10 - Autonomia indígena no México: história das reivindicações autonômicas e o atual caso das comunidades zapatistas em Chiapas

Autores

Júlia Melo Azevedo Cruz

Mestranda

Universidade Federal de Minas Gerais

juliameloac@gmail.com

Waldo Lao Fuentes Sánchez

Doutorando

PROLAM - USP

waldolao@gmail.com

Ementa

Os debates sobre as autonomias indígenas tem ganhado cada vez mais importância na América Latina, tendo em vista que essas representam a construção de alternativas democráticas, a valorização do pluriculturalismo e a redefinição de relações entre Estado e sociedade. As iniciativas autonômicas, cada vez mais presentes em diversos países latino-americanos, colocam em evidência histórias comuns de Estados-nações criados sobre bases ocidentais, modernas e pretensamente homogêneas, em detrimento da diversidade cultural que compunha e compõe o vasto território da América Latina.
Este minicurso tem o objetivo de compreender a autonomia reivindicada e praticada por comunidades indígenas no México desde meados do século XIX, com ênfase no caso do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), que vem, desde 1994 até os dias atuais, construindo comunidades autônomas em Chiapas não reconhecidas pelo Estado e resistindo em sua luta pelos direitos indígenas. Nas discussões, pretende-se debater a autonomia como conceito e como prática libertária, refletindo sobre seus significados, tensões, sua história e suas experiências.
Dividiremos as discussões em dois momentos:
- Primeiramente, buscaremos compreender a autonomia como demanda histórica, atrelada à demanda por reconhecimento e valorização das identidades étnicas no México. Discutiremos como e por que a autonomia se tornou demanda central e recorrente para os povos indígenas do país desde meados do século XIX, no contexto de construção do Estado-nação, passando pela Revolução Mexicana, pelas medidas indigenistas do século XX e chegando até às décadas mais recentes, nas quais intensificaram-se as experiências autonômicas em estados como Guerrero, Oaxaca, Michoacán e outros estados.
- Em segundo lugar, abordaremos um caso de “autonomia de fato”: as comunidades autônomas zapatistas em Chiapas. Nesta parte, buscaremos debater a prática autonômica cotidiana dos territórios controlados pelo EZLN, em seus aspectos educacionais, culturais, políticos, econômicos e judiciários, pensando sobre seus avanços e limitações. Refletiremos: como os zapatistas estão construindo, vivendo e imaginando sua autonomia?


Cronograma das atividades:

4 horas/aula

Dia 1 (2h/aula): Autonomia como demanda histórica: a luta pelo reconhecimento dos direitos indígenas.

Dia 2 (2h/aula): Autonomia de fato: as comunidades autônomas zapatistas em Chiapas.

Bibliografia

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  • Locais e datas

    • 9 de Maio de 2017
      08:00 - 12:00

      Sala 3004

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