MC 17 - 100 anos da Revolução Russa: ecos na imprensa brasileira

Autores

Iamara Silva Andrade

Doutoranda em História

UFRGS

iamarandrade53@gmail.com

Ementa

Há aproximadamente um século que a Revolução Russa redesenhou o horizonte social da humanidade e remodelou a tessitura política das sociedades. Os ecos da Rússia de 1917 chegaram gradualmente em todos os continentes, através de escritos jornalísticos ou de relatos de participantes e observadores que vivenciaram os acontecimentos. Para compreender quais as interpretações da Revolução Russa elaboradas por aqueles que viviam no Brasil serão analisadas as noticias veiculadas na grande imprensa e imprensa operária como expressão escrita das inquietações, debates e elaborações sobre este “horizonte vermelho” que se abria diante do mundo.
Num breve panorama do noticiário em algumas regiões do Brasil, observa-se que a grande imprensa após divulgar informações que aprovavam as mudanças de fevereiro de 1917, caracterizando-as como “anti-alemã”, modifica o teor das noticias sobre a tomada do poder pelos sovietes e a partir da radicalização das ações operárias brasileiras assume uma ofensiva crítica num primeiro esboço de ideias anticomunistas. Na imprensa operária a Revolução Russa se torna inspiração e horizonte de libertação social, bem como, objeto de debates políticos entre os jornais. A imprensa deu forma aos acontecimentos que registrava de acordo com as conjunturas específicas de relações com o poder e das lutas por hegemonia sobre os modos de vida.
O objetivo desse minicurso é apresentar as noticias da Revolução Russa entre 1917 e 1922 na imprensa brasileira para investigar a circulação de ideias nos jornais enquanto espaços de formulações e disputas dos projetos de poder pelos grupos sociais dominantes e militantes operários. A hipótese inicial é que a interlocução crítica desse conteúdo jornalístico se constituiu numa rede de produção e disputa de valores e projetos políticos.
Nessa perspectiva, o minicurso propõe a análise de referenciais teóricos metodológicos que contribuam para a reflexão na historiografia do estudo da imprensa não como mera reprodutora de interesses, mas como um espaço importante de elaboração e articulação dos projetos de grupos sociais distintos agindo na produção de hegemonia, na compreensão da temporalidade, da memória e de visões de futuro.


Cronograma das atividades:

8 horas/aula

Primeiro dia – 4h: As noticias da Revolução Russa nos jornais da grande imprensa e imprensa operária entre 1917 e 1922.
Segundo dia – 4h: A imprensa, visões de mundo e projetos políticos: referenciais teóricos e metodológicos

Bibliografia

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  • Locais e datas

    • 9 de Maio de 2017
      08:00 - 12:00

      Auditório Baese (4º andar Fafich)

    • 10 de Maio de 2017
      08:00 - 12:00

      Auditório Baese (4º andar Fafich)

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